Uma mulher de 31 anos e sua filha, de dois anos, passaram a madrugada de terça-feira (17) em um sofá no prédio da Prefeitura de Sorocaba (SP), após não conseguirem vaga em abrigos destinados a vítimas de violência doméstica. O caso expôs falhas na rede de proteção e está sendo investigado pelo Ministério Público e pela própria administração municipal.
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher foi até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) quando começou a receber ameaças do companheiro. Encaminhada à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), ela relatou agressões anteriores e solicitou uma medida protetiva de urgência. Com medo de retornar para casa, pediu abrigo — mas foi informada de que não havia vagas.
Sem ter para onde ir, mãe e filha foram levadas por conselheiras tutelares à sede da prefeitura, onde passaram a noite em um sofá, sem cama, cobertor ou alimentação. “Eu esperava um apoio melhor depois de tudo o que passei. Foi constrangedor e decepcionante”, desabafou a vítima.
A prefeitura informou que o abrigo CIM Mulher, contratado pelo município, deveria ter acolhido a vítima, pois havia 12 vagas disponíveis. A entidade foi advertida e tem cinco dias para explicar a negativa. A fiscalização foi publicada no Jornal do Município. O Ministério Público também apura se esse foi um caso isolado ou se há falhas recorrentes na assistência.
A mulher, que não tem parentes na cidade, está temporariamente na casa de conhecidos. Ela lamentou a exposição durante o atendimento e deixou um apelo: “Espero que outras mulheres não passem por isso.”