Um projeto desenvolvido por estudantes de engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Sorocaba (SP), promete ajudar na detecção de tempestades com até 48 horas de antecedência. A proposta, que ainda está em fase de testes, pode ser uma aliada na prevenção de enchentes e deslizamentos, como os que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024.
A iniciativa surgiu durante as aulas da disciplina de aprendizado profundo — o deep learning —, que utiliza inteligência artificial para simular o funcionamento do cérebro humano por meio de padrões e dados.
De acordo com Matheus Lima, um dos alunos responsáveis, o sistema foi treinado com informações pluviométricas fornecidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMet). “Percebemos que os modelos tradicionais tinham dificuldade para prever tempestades muito fortes, então começamos a desenvolver uma alternativa mais eficiente”, explica.
O grupo é orientado pelos professores Leopoldo André Dutra Lusquino, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba (ICTS), e William Dantas Vichete, do Departamento de Engenharia Ambiental. Juntos, criaram um modelo híbrido, que combina diferentes técnicas de aprendizado de máquina para aumentar a precisão das previsões.
“Conseguimos alcançar 40% de acertos na detecção de episódios de chuvas intensas, o que já é um resultado expressivo para um sistema em desenvolvimento”, afirma Matheus.
Foram dez meses de pesquisas e testes com diferentes modelos até chegar a um sistema considerado estável. Agora, os próximos passos incluem a realização de simulações com dados históricos de Sorocaba, para validar a eficácia do projeto antes de sua aplicação prática.
O trabalho já foi apresentado em eventos acadêmicos, como o II Seminário de Pesquisa Interna da Unesp e o I Simpósio de Ciências Atmosféricas (SiCAm), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde recebeu contribuições de especialistas em meteorologia e gestão de riscos.
Quando estiver totalmente funcional, o sistema poderá emitir alertas à população e à Defesa Civil com até dois dias de antecedência, oferecendo tempo suficiente para que medidas preventivas sejam adotadas.
“Nosso objetivo é que essa ferramenta ajude a salvar vidas e minimize os impactos dos eventos climáticos extremos, que infelizmente estão se tornando cada vez mais frequentes”, conclui Matheus.