A família de um jogador de 13 anos denunciou que o adolescente sofreu assédio moral e sexual enquanto estava alojado durante um campeonato realizado em Itapetininga, no interior de São Paulo. O jovem foi convidado para representar o Atlético Goianiense (Atlético-GO) na competição. As denúncias foram divulgadas pela madrasta do atleta, Camila Marque, em vídeo publicado nas redes sociais.
Segundo Camila, o enteado, que mora no Rio de Janeiro e atua em um clube local, chegou a São Paulo no dia 11 de janeiro, após uma viagem de aproximadamente 24 horas de ônibus. Ele ficou alojado com cerca de 40 crianças, que dormiam no chão. Os pais não puderam acompanhar o adolescente, que viajou com uma funcionária da família e outros atletas.
De acordo com o relato, um homem identificado como Wagner, responsável pelo convite aos atletas do Rio de Janeiro, teria se apresentado como diretor do Atlético-GO. Ainda conforme a madrasta, na madrugada seguinte à chegada, houve uma confusão no alojamento envolvendo um homem que seria motorista do ônibus do clube, que teria entrado no local alterado, fumando e abordado a acompanhante dos jovens.
Após o episódio, Camila afirmou ter orientado que o enteado deixasse o alojamento, mas, segundo ela, houve ameaça de exclusão do campeonato caso o grupo saísse do local.
Denúncia de assédio
Ainda segundo a família, os atletas foram transferidos para outro alojamento, no salão paroquial de uma igreja, onde eram servidas as refeições. Nesse local, o adolescente relatou ter sido assediado por um homem que trabalhava como cozinheiro, com idade estimada entre 30 e 40 anos.
De acordo com o jovem, o homem teria feito comentários sobre seu corpo e o seguido até o banheiro durante a noite. O adolescente conseguiu se trancar em uma cabine e gravar cerca de sete minutos de áudio, nos quais o adulto teria tentado convencê-lo a permanecer no local. Após sair do banheiro, o jovem correu para a área comum e contou o ocorrido à família.
Camila também afirma que o mesmo Wagner teria ameaçado o adolescente, orientando-o a não relatar o episódio a outras pessoas.
Posicionamento do clube
Em nota, o Atlético Clube Goianiense afirmou que repudia e condena abominavelmente qualquer forma de assédio moral ou sexual contra crianças e adolescentes, além de atitudes discriminatórias. O clube esclareceu que o convite para o torneio partiu de uma escolinha franqueada, cujo responsável legal estaria presente e acompanhando a delegação.
O Atlético-GO informou ainda que, ao tomar conhecimento das denúncias, designou o vice-presidente executivo e o Departamento de Psicologia para acolher a família e apurar os fatos. Segundo o clube, os episódios teriam ocorrido em alojamentos disponibilizados pela organização do torneio, fora das dependências oficiais da instituição, mas o caso será acompanhado e as autoridades serão acionadas para o esclarecimento completo dos fatos.