O dólar iniciava a semana com fortes ganhos, superando a marca de R$ 5,40 em uma segunda-feira marcada por aversão a risco no exterior, enquanto, no Brasil, a reta final da corrida eleitoral colaborava para a cautela de investidores.
Às 14h36 (de Brasília), o dólar à vista avançava 3%, a R$ 5,405 na venda.
O Ibovespa caía 2,07%, aos 109.405, acompanhando cenário negativo nos mercados acionários no exterior, à medida que seguem as preocupações com os impactos das altas de juros ao redor do globo nas economias.
A moeda norte-americana subia pelo segundo pregão consecutivo, após fechar a última sessão em alta de 2,59%, a R$ 5,2483 na venda, maior valorização diária desde 22 de abril (+4,07%) e maior patamar para encerramento desde o último dia 16 (R$ 5,2609).
Um índice da divisa dos Estados Unidos contra uma cesta de seis pares fortes subia 0,4% nesta segunda-feira, quando renovou um pico em duas décadas. Ao mesmo tempo, o dólar operava em alta contra todas as principais moedas de países emergentes ou ligadas às commodities.
O real dividia com o peso chileno a posição de pior desempenho global no dia.
Investidores têm fugido rapidamente de ativos considerados arriscados nos últimos dias, principalmente desde que o Federal Reserve subiu sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual pela terceira vez seguida na quarta-feira passada e projetou uma trajetória de aperto monetário mais agressiva do que o inicialmente esperado pelos mercados.
Juros mais altos nos EUA beneficiam o dólar ao tornar os retornos da renda fixa norte-americana mais interessantes para o capital estrangeiro, e também têm desencadeado temores de recessão, já que tendem a restringir os gastos de empresas e famílias.
Com a divulgação de dados de inflação das principais economias e falas de dirigentes de bancos centrais agendadas para os próximos dias, “a semana promete ser desafiadora… um prato cheio para amplitude e volatilidade” nas oscilações do câmbio, completou Rugik, chamando a atenção ainda, no âmbito doméstico, para as eleições presidenciais de domingo.
A última semana de campanha antes do primeiro turno será marcada por uma avalanche de pesquisas eleitorais, com todas as atenções voltadas para possíveis indícios sobre as chances de o líder nas pesquisas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liquidar a fatura já no dia 2 de outubro.