Angatuba vive um momento de intenso debate em torno do transporte estudantil para alunos que cursam o ensino médio e técnico, além de cursos de ensino superior fora do município. As recentes regras divulgadas sobre subsídios e critérios de concessão do benefício geraram preocupação entre estudantes e famílias, especialmente diante dos altos custos mensais com deslocamento para cidades como Itapetininga, Tatuí e Sorocaba.
De acordo com informações oficiais, os alunos veteranos do ensino médio integral (2º e 3º anos) continuarão recebendo o repasse conforme a renda familiar, com descontos que podem chegar a 100%, 70% ou 50%, a mesma regra que é valida para cursos de ensino superior para veteranos e calouros. A Prefeitura argumenta que a manutenção desse apoio é essencial para garantir a continuidade dos cursos já iniciados, sobretudo aqueles que não são oferecidos em Angatuba.
Por outro lado, os estudantes que pretendem iniciar o ensino médio técnico a partir de 2026 e desejam utilizar o transporte da associação deverão arcar com o valor integral do serviço, se esse curso já for disponibilizado em Angatuba. O custo individual ainda será divulgado após a análise dos cadastros e da renda dos interessados, o que tem gerado insegurança devido aos prazos curtos para matrícula nas ETECs e à falta de clareza imediata sobre os valores finais.
Nesse contexto, a Chapa 1 da Associação dos Estudantes Universitários de Angatuba (AEUMA), tendo como presidente Gabriel, presidente também da associação do bairro do Machadinho, divulgou um posicionamento oficial manifestando indignação e discordância em relação às regras atuais. Segundo o grupo, os critérios apresentados abrem margem para diferentes interpretações e, na prática, podem restringir o acesso aos descontos a um número muito reduzido de estudantes, excluindo famílias que, mesmo com renda acima de três salários mínimos, não conseguem absorver custos elevados de transporte.
A Chapa 1 também alerta que a situação pode levar muitos estudantes a desistirem da matrícula por medo de não conseguirem arcar com as despesas, prejudicando diretamente o futuro educacional de jovens do município. Outro ponto destacado é a perda do direito de escolha do estudante quanto ao município onde deseja estudar, já que o valor do transporte acaba sendo determinante.
Do outro lado, teve também o depoimento de uma das idealizadoras da AEUMA, Vivian Pereira, que relembra a criação da associação em 2013, após o corte do repasse por falta de instrumento legal na época. Segundo ela, a entidade nasceu da união de pessoas comprometidas com o mesmo objetivo: garantir o direito ao transporte e à educação. Agora, em 2026, diante da reativação da associação, o compromisso se repete, sem pretensões políticas, mas com a experiência de quem já conduziu o processo anteriormente. Ela está como vice presidente na Chapa 2.
“Não estou nessa para me promover, estou nessa pelo estudante, para que ele tenha as mesmas oportunidades que eu tive”, afirma. Funcionária pública há 20 anos, ela ressalta que a diferença está na experiência e na capacidade de gerir a associação com responsabilidade, transparência e justiça.
A assembleia geral, marcada para o próximo sábado, está dando o que falar, estudantes se mobilizam para manifestação contra o novo modelo de repasse, enquanto a chapa 2 sugere um debate entre os integrantes dos grupos. Ficamos de olho nas cenas dos próximos capítulos.