Uma motorista que denunciou o Sindicato dos Transportes de Sorocaba (SP) ao Ministério Público do Trabalho (MPT) foi demitida e alega represália. Karen Cristina de Faria, de 36 anos, afirma que sua demissão ocorreu após pressão do sindicato e na sequência do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em agosto entre a entidade e o MPT.
Esse acordo foi firmado três anos após denúncias sobre má gestão do sindicato, que deverá pagar uma multa de R$ 300 mil, parcelada em 24 vezes. Especialistas consultados pelo g1 e pela TV TEM criticaram o TAC, argumentando que ele não puniu adequadamente os responsáveis pela má gestão e que os trabalhadores acabaram pagando pelas falhas da entidade.
Karen foi demitida no dia 16 de outubro, após retornar de um afastamento por tratamento de saúde. Ela trabalhou em uma empresa de fretamento em Sorocaba desde 2016 e afirma ter sido uma das últimas a ser dispensadas, ressaltando que todos os envolvidos nas denúncias sofreram retaliação.
“Fui retaliada. Fui uma das últimas. Todos os envolvidos nessa denúncia sofreram retaliação. Todos foram dispensados”, diz. Ela também relata que houve uma ameaça interna no sindicato de que aqueles que fizessem denúncias seriam demitidos. “Foi perseguição, foi represália, sim, e é a mando do sindicato”, garante.
Karen acredita que o TAC já foi descumprido, alegando que houve pressão sobre a empresa para que sua demissão ocorresse. “Participei de todo o processo, desde o início, de todas as denúncias. Só não tinha sido demitida ainda porque estava afastada por problema de saúde”, conclui.