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Quinta-feira, 30 de Julho 2026
Polícia

Morador que deixou foguete da 2ª Guerra ao lado de delegacia usava como 'enfeite'; colecionar explosivos é crime, alertam especialistas

Munição de bazuca foi apreendida pela Polícia Civil de Boituva (SP) após um homem, anonimamente, ligar à delegacia e afirmar que deixou o armamento ao lado do prédio.

Jhonatas Gabriel
Por Jhonatas Gabriel
Morador que deixou foguete da 2ª Guerra ao lado de delegacia usava como 'enfeite'; colecionar explosivos é crime, alertam especialistas
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Uma munição de bazuca da Segunda Guerra Mundial foi encontrada ao lado da Delegacia de Boituva, no interior de São Paulo, na última segunda-feira (26). Especialistas em segurança pública alertaram que colecionar equipamentos bélicos de destruição é proibido por Lei Federal.

De acordo com a Polícia Civil, no começo da manhã de segunda-feira, um homem telefonou e, sem se identificar, avisou que havia deixado a munição ao lado do prédio.

Durante a chamada, ele afirmou que o foguete, modelo M6A3, era um "enfeite" da Segunda Guerra Mundial e que o possuía há muitos anos. No entanto, com medo de uma explosão, decidiu descartá-lo.

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Segundo o advogado especialista em Direito Militar, Gustavo Gurgel, possuir armamento bélico explosivo, mesmo como enfeite, é crime. “Arma, espingarda, munição, artefato explosivo, ainda que histórico, é crime previsto no Estatuto do Desarmamento.”

A comercialização, posse e uso de explosivos é proibida. A pena, conforme Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, é de prisão de três a seis anos e multa.

o gerente de projetos do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, explicou que o foguete encontrado não é um artefato normalmente utilizado pelo crime organizado.

“São raras as apreensões de munições deste tipo no crime. Quando ocorre, muitas vezes se usa apenas a base de lançamento, sem a munição, como forma de gerar persuasão e intimidação", disse.
O advogado ainda explica que mesmo se tratando de um item histórico, juridicamente, não há diferenciação. “Qualquer objeto que tenha eficácia de afetar o bem jurídico tutelado se enquadra nas restrições previstas no Estatuto do Desarmamento, não sendo possível sua regularização”.

Langeani complementa que a munição é um item que pode ser buscado por colecionadores e entusiastas, mesmo que sua posse seja proibida pela concessão de certificado de registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

“Independente de qualquer hipótese, a obtenção do artefato explosivo, seja a título de cessão gratuita ou pagamento, desde que o objeto mantenha sua capacidade lesiva, é ilegal e tanto o alientante quanto o adquirente podem responder por crime”, pontua o Gurgel.

Munição está inoperante
Após o telefonema, o setor de investigações identificou que o explosivo deixado ao lado da delegacia em Boituva era lançado por meio de uma bazuca e usado contra tanques de guerra. A polícia acredita que o homem adquiriu o explosivo de forma ilícita.

quipes do Gate foram acionadas e constataram que o foguete não oferecia risco de explosão. A Polícia Civil informou que um boletim de ocorrência foi registrado e que trabalha para identificar a pessoa que deixou o explosivo no local.

Apesar de não oferecer risco de explosão, o porte do foguete pode ser considerado crime, ressalta o advogado Gustavo Gurgel.

“Se descaracterizada a função bélica, ou seja, sem qualquer potencial lesivo, em tese, não configura crime. Lembrando que muitas armas são utilizadas como simulacros em crimes mais graves e portar ou possuir armas nessas condições não afasta a intervenção policial, já que a comprovação da lesividade depende de prova pericial. Então, a pessoa que possui material bélico, ainda que absolutamente ineficaz, não está livre de ter problemas para comprovar a inviabilidade lesiva da arma, munição ou artefato explosivo”.
Munição deveria ser entregue à Polícia Federal
Gurgel salienta que o material bélico deveria ter sido entregue de forma voluntária à Polícia Federal.

“Como a origem do material é algo a ser investigado pela autoridade competente, já que pode constituir infração penal, previsto no art. 16, inc. III do Estatuto do Desarmamento. De todo modo, o procedimento para entrega voluntária está previsto na Portaria Ministério da Justiça n. 797/11, com preenchimento de formulário, expedição de guia de transporte, etc.", finaliza.

Mais de 500 registros de armas por dia

Segundo dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), 185.409 novas armas foram registradas juntamente à Polícia Federal, entre janeiro e novembro de 2022. Em proporção, são 556 registros por dia.

Os números indicam ainda que 55,9% dos registros foram concedidos à população civil.

Jhonatas Gabriel

Publicado por:

Jhonatas Gabriel

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