Algumas famílias de refugiados afegãos estão começando a vida no Brasil após serem acolhidas por uma ONG no interior de SP.
"Deixar sua casa, deixar seus sonhos não é fácil e nós deixamos tudo no Afeganistão. Qualquer refugiado começa do zero, é como nascer. Se você tem sonhos, tem que começar de algum lugar, se você acredita que é possível você deve fazer.", disse Khatera.
O grupo extremista Talibã tomou a capital do Afeganistão, Cabul, em agosto de 2021. Vinte anos após ter sido expulso pelas tropas norte- americanas.
A Khatera contou que passou seis anos da adolescência sem sair de casa durante a primeira tomada do Talibã. Quando o grupo voltou ao poder, no final de 2021, ela soube que teria que fugir para outro país.
Quando chegam ao Brasil, os afegãos são trazidos para um hotel, em Jundiaí (SP). No local, eles passam por um período de quarentena, por exames e vacinação. Depois desses 15 dias, vão para suas novas casas.
Os apoiadores ensinam tarefas básicas do dia a dia como ir ao mercado, tirar documentação nova, tudo para que eles consigam ter independência para começar a construir uma nova história.
Elas auxiliam com moradia e um valor mensal até que os refugiados consigam se estabelecer, tudo arcado por doadores internacionais.
As crianças afegãs vão para a escola passam por um processo importante. "A primeira coisa a ser feita, após o acolhimento com a nossa língua, inclusive, é ensinar o alfabeto, depois o processo da língua que vai conhecer", explica a professora, Jaqueline Massagardi Mendes.
Entre os alunos, está o Sohail Shaqbi, filho da Khatera. Com apenas 12 anos, ele tem consciência do que é ser um refugiado.
"Vim para o Brasil porque o Talibã tomou o Afeganistão e tirou nossa liberdade. Minha irmã não podia ir para escola, eles fecharam as escolas para meninas. Porque eles dizem que meninas não devem frequentar escolas. Para minha família não era seguro ficar lá", conta.
Já familiarizado no novo país, ele quis deixar um recado para os brasileiros, em português:
"Brasileiros, espero que vocês deixem os refugiados afegãos a fazerem parte da sua sociedade e ajudem nós, pois somos novos aqui e viemos de uma cultura diferente."