A partir da Quarta-feira de Cinzas, data de grande significado para os católicos, inicia-se o período da Quaresma, momento em que muitos devotos renunciam ao consumo de carne, substituindo-a por ovos, como parte de suas práticas religiosas. Esse aumento na procura por ovos tem gerado impactos significativos no setor produtivo, especialmente no interior de São Paulo, onde já foi registrado um crescimento de 40% nas vendas.
Leandro Vieira, proprietário de uma granja em Itapetininga (SP), relatou que a demanda foi tão alta neste ano que precisou interromper os pedidos já no início de fevereiro. “Tenho 700 aves e uma produção de cerca de 650 ovos por dia. Para garantir essa quantidade, as galinhas precisam de 16 horas de luz diária, o que é feito com o auxílio de um timer que controla a iluminação artificial”, explica Leandro.
No entanto, apesar dos cuidados com a produção, a alta demanda e fatores climáticos têm impactado a oferta. A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) estima um aumento de 40% nos preços dos ovos devido a uma combinação de fatores, como o grande volume de exportação e o estresse calórico sofrido pelas aves com as altas temperaturas, que, em alguns casos, chegam a matar as galinhas.
Andrea Sonoda, proprietária de uma distribuidora de ovos, também mencionou o impacto da Quaresma nas vendas. “A procura por ovos aumenta em torno de 30% neste período. Estamos produzindo até 2 mil dúzias por dia, mas alguns tipos de ovos já estão em falta, o que nos obriga a substituir por outros tipos”, afirma Andrea.
O cenário, portanto, reflete o aumento da demanda durante a Quaresma, mas também destaca as dificuldades enfrentadas pelos produtores para atender à crescente procura, com desafios de produção e reajustes nos preços para o consumidor final.