O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi apontado por lideranças governistas e oposicionistas como um dos principais articuladores da retirada da Medida Provisória (MP) que garantiria R$ 17 bilhões ao governo federal, da pauta da Câmara dos Deputados.
A decisão, aprovada por 251 votos a 193, representou uma derrota significativa para o Palácio do Planalto. A medida, que perderia validade na quarta-feira (8), previa mudanças nas regras de tributação sobre investimentos, fintechs e compensações tributárias — e era considerada essencial pela equipe econômica para o equilíbrio fiscal de 2026, ano eleitoral.
Durante a sessão, o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), acusou Tarcísio de ter telefonado a parlamentares e líderes partidários pedindo apoio contra a proposta. O petista classificou a atuação do governador como um “papel nefasto”.
Na sequência, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), elogiou o empenho do governador paulista em dialogar com presidentes de partidos de centro “contra o aumento de impostos”.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), chamou a decisão de retirar a MP da pauta de “sabotagem ao país” e disse que a derrota do Planalto foi resultado de uma “ação orquestrada” que antecipa o cenário político das eleições de 2026.
“Eles resolveram entrar na lógica de que, para tentar derrotar o governo do presidente Lula, não há problema em prejudicar o Brasil e os brasileiros”, declarou Randolfe.
O relator da medida, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), também acusou Tarcísio de interferir na votação e citou os presidentes do PP, Ciro Nogueira (PI), e do União Brasil, Antônio Rueda, como participantes das articulações que teriam atrapalhado a aprovação da MP.
Apontado como articulador tanto por governistas quanto por oposicionistas, Tarcísio de Freitas negou as acusações. Em nota, afirmou estar focado em questões do estado, como a crise do metanol e o desabamento de um prédio na capital, que deixou uma pessoa morta e outras cinco feridas.