Uma pesquisa da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, trouxe esperança para o tratamento do Alzheimer. O estudo mostrou que o Lemborexant, medicamento aprovado em 2019 pelo FDA para tratar insônia, reduziu o acúmulo da proteína Tau no cérebro de camundongos, um dos fatores diretamente ligados ao avanço da doença.
Além de melhorar o sono, os animais tratados com o remédio apresentaram até 40% de reativação do hipocampo, área ligada à memória. O resultado foi bem mais promissor que o obtido com outros medicamentos para insônia, como o Zolpidem.
Segundo o neurologista David Holtzman, autor da pesquisa, controlar o sono pode ser uma forma eficaz de proteger o cérebro: “Mostramos que o Lemborexant melhora o sono e reduz a Tau anormal, que parece ser o principal fator dos danos neurológicos observados no Alzheimer.”
Apesar dos avanços, os cientistas pedem cautela. O estudo foi realizado apenas em camundongos machos, e os efeitos ainda precisam ser testados em fêmeas e em seres humanos. Além disso, o medicamento só é aprovado para uso de curto prazo, e o impacto do uso prolongado ainda é desconhecido.
O Alzheimer é a forma mais comum de demência, afetando memória e raciocínio, principalmente em idosos. No Brasil, representa mais da metade dos casos de demência registrados, segundo o Ministério da Saúde.
Os pesquisadores acreditam que entender melhor a ligação entre o sono, a proteína Tau e a Orexina — neuropeptídeo bloqueado pelo Lemborexant — pode abrir caminho para novas formas de prevenção e tratamento da doença.