Pesquisadores da Fiocruz e de universidades do Brasil, França e Canadá desenvolveram um novo composto químico que pode revolucionar o tratamento da leishmaniose, doença considerada uma das mais negligenciadas do mundo e que afeta, principalmente, populações em situação de vulnerabilidade.
Batizada de SbVT4MPP, a molécula se mostrou 170 vezes mais potente que os medicamentos atuais, atuando inclusive contra espécies resistentes da Leishmania. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy.
Segundo os cientistas, o composto age bloqueando a produção de ergosterol, substância essencial para a membrana celular do parasita. Sem essa proteção, o protozoário é destruído. O alvo da molécula — a enzima 24-SMT — não existe em células humanas, o que aumenta a seletividade e reduz os riscos de efeitos colaterais.
Nos testes realizados em camundongos infectados pela Leishmania donovani — causadora da forma visceral da doença, a mais grave —, o tratamento reduziu em 96% a carga parasitária no fígado dos animais.
Apesar dos resultados promissores, o pesquisador Rubens Lima do Monte Neto, da Fiocruz Minas, alerta para os desafios:
“Chamamos esse período de ‘vale da morte’ no desenvolvimento de fármacos. Temos resultados muito animadores, mas sem investimentos é difícil avançar até os testes em humanos”, afirmou.
A equipe agora busca apoio de empresas e investidores para viabilizar a continuidade dos estudos e transformar a molécula em um medicamento acessível para pacientes.