O candidato do PT à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 48,43% dos votos válidos no domingo (2), contra 43,20% do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 99,99% das urnas apuradas. Os resultados do primeiro turno divergem da maior parte das pesquisas eleitorais divulgadas ao longo das últimas semanas.
“Parece que existiu uma onda de voto útil que beneficiou tanto o Bolsonaro quanto o Lula. Os dois subiram na reta final, a gente capturou isso nos nossos dados mostramos quanto o Ciro despencou nos últimos dias da campanha para o primeiro turno. A Simone Tebet também teve uma leve queda”, afirmou.
O especialista avalia que a polarização entre os candidatos do PT e do PL pode ter influenciado os resultados do pleito.
“A PNAD Contínua indica hoje em dia em termos de perfil da população brasileira que em torno de 35% da população está dentro da faixa de renda de dois salários mínimos. Esse dado que a Atlas vem usando para calibragem amostral e esse dado que não vem sendo usado pela maioria dos institutos”, afirma. “Se você superestima a população mais pobre do Brasil em 70 pontos percentuais, de 35 para acima de 55, inevitavelmente você vai subestimar o desempenho do Bolsonaro e me parece que isso está muito bem comprovado”, explica.
O especialista cita o chamado “voto envergonhado“. “Quando as pessoas são abordadas por um entrevistador na rua ou mesmo por telefone, a interação humana faz com que algumas não declarem efetivamente a intenção real de voto que de fato se manifestará nas urnas. Esse tipo de viés não existe na nossa pesquisa por que a Atlas faz pesquisas com coleta via internet. Então existe uma situação de pleno conforto, de plena anonimidade para o respondente”, diz.