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Quinta-feira, 30 de Julho 2026
Saúde

Fazer teste de HPV para rastreio primário do câncer do colo de útero é mais eficaz do que Papanicolau

O rastreamento no país ainda é feito primariamente por meio do exame citológico (Papanicolau)

Jornal CNet Redação
Por Jornal CNet Redação
Fazer teste de HPV para rastreio primário do câncer do colo de útero é mais eficaz do que Papanicolau
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Entre os tumores mais diagnosticados no Brasil, os de colo uterino ocupam a 4ª posição no ranking. São também a quarta causa de morte por câncer, embora possam ser prevenidos por meio de vacinação e de um teste capaz de detectar o HPV – particularmente os tipos 16 e 18 desse vírus, considerados de alto risco oncogênico.

A forma de obter a amostra para o teste de HPV é semelhante à do exame de Papanicolau: células do colo do útero são coletadas, preferencialmente com uma escova específica para esse fim. No laboratório, por meio de uma tecnologia conhecida como PCR (reação em cadeia da polimerase), observa-se a presença ou não do DNA de diferentes tipos do vírus no colo do útero.

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O rastreamento no país ainda é feito primariamente por meio do exame citológico (Papanicolau), que apresenta baixa sensibilidade quando comparado ao teste molecular específico para a identificação do HPV.

O maior impedimento para sua adoção seriam os valores envolvidos na alteração do sistema atualmente adotado. Porém, de acordo com uma pesquisa feita no Hospital de Amor (antigamente chamado Hospital do Câncer de Barretos), o método já é realidade em países da América Latina e poderia, sim, ser utilizado de maneira custo-efetiva no Brasil, o país mais rico da região. A conclusão foi publicada na revista Cancers.

No Brasil, foram realizados dois estudos piloto (um na capital paulista e outro em Indaiatuba, interior do estado), cujos resultados corroboram a premissa de que a implementação dos testes de HPV na triagem primária feita pelo sistema público de saúde é não apenas viável, mas também recomendável por seu potencial de redução da morbidade e mortalidade por câncer de colo de útero.

“A ideia de nossa pesquisa é pautar uma política pública para pensarmos se a implementação seria interessante em nível nacional, considerando custo e efetividade”, explica Luani Rezende Godoy, bacharel em biotecnologia e doutoranda do Grupo de HPV do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) do Hospital de Amor.

Segundo os autores, observar a população latino-americana foi importante por conta de sua heterogeneidade e dos altos índices de carcinomas cervicais provocados por diferentes tipos de HPVs, dependendo das regiões e dos cuidados a que as mulheres têm acesso.

“Identificar essas diferenças de forma abrangente e robusta pode produzir dados que nos orientem a introduzir estratégias de prevenção mais eficazes”, afirma Adhemar Longatto Filho, professor convidado da Faculdade de Medicina da Universidade do Minho, em Portugal, pesquisador científico visitante do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e coautor da revisão.

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