No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado no sábado (19), o g1 contou a inspiradora história de quatro mulheres de Sorocaba, interior de São Paulo, que decidiram enfrentar juntas o diagnóstico de um gene que poderia predispor ao câncer de mama. Mãe, filha, irmã e sobrinha optaram pela mastectomia como medida preventiva para evitar a doença.
A auxiliar administrativa Maraiza Meneguel, de 40 anos, descobriu a predisposição genética após a irmã, Fernanda, ser diagnosticada com câncer de mama nos Estados Unidos. “No laudo, foi indicado que era hereditário. Os médicos nos aconselharam a realizar exames e, no final, eu, minha mãe e minha sobrinha testamos positivo para uma alteração no gene BRCA1, que está relacionado à reparação do DNA e prevenção de doenças”, explicou Maraiza.
A descoberta do gene causou um impacto profundo na família. “Quando soubemos, nosso mundo desabou. Todos os médicos recomendaram a mastectomia total para prevenção, já que a genética era muito forte e agressiva. Era uma questão de tempo até que desenvolveríamos a doença”, lembrou Maraiza.
Embora sentisse medo da cirurgia, Maraiza encontrou coragem ao ver a força da irmã. “Eu hesitei, especialmente porque ainda não sou mãe. Mas ao ver o que a Fernanda enfrentou sozinha e com positividade, percebi que precisaríamos agir. Então, disse à minha mãe: ‘Temos que fazer, Deus nos deu essa chance’”, compartilhou.
Após um processo de reflexão e apoio familiar, Maraiza se submeteu à mastectomia, que incluiu a reconstrução das mamas com próteses de silicone. “Eu fiquei por último, fazendo a cirurgia quatro meses depois da minha mãe e da minha sobrinha. Pensei em desistir, mas, ao final, o resultado me deixou apaixonada”, disse ela, aliviada com a recuperação.
Desde a decisão de Angelina Jolie em 2013 de realizar uma mastectomia preventiva, o procedimento ganhou notoriedade. Maraiza, agora recuperada, reforça a importância de encorajar outras mulheres a realizar exames e enfrentar os desafios da prevenção. “Hoje, somos mais fortes. Perder uma mama é doloroso e afeta a autoestima, mas é essencial que as mulheres façam exames periodicamente. Isso salva vidas”, afirmou.
O médico Delmo Sakabe, especialista em cirurgia de mama, destacou a raridade da anomalia BRCA, que ocorre em uma a cada mil pessoas na população geral. “Entretanto, em famílias com três ou mais mulheres com câncer de mama ou ovário, a incidência aumenta para 16 em cada 100, tornando a investigação genética crucial”, explicou.
Sakabe observou que a presença de uma anomalia nos genes BRCA1 e BRCA2 não garante que as mulheres desenvolverão câncer, mas aumenta consideravelmente o risco. A chance varia entre 56% a 84%, dependendo de fatores individuais.
Quanto ao procedimento cirúrgico, o médico esclareceu que ele pode ser realizado em uma única etapa, especialmente para pacientes em estágio inicial. Ele também ressaltou que a recuperação tende a ser rápida, embora as pacientes precisem estar preparadas para um período de repouso.
Em relação à saúde mental, Sakabe enfatizou que o diagnóstico precoce pode reduzir o impacto psicológico associado ao câncer. “O termo ‘câncer’ pode ser assustador, mas com diagnóstico e prevenção precoces, o trauma psicológico é menor. É uma doença que pode ser tratada e deve ser encarada dessa forma”, concluiu.
A coragem e o apoio mútuo dessas quatro mulheres de Sorocaba ilustram a força da união familiar na luta contra o câncer, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.