O motorista do Porsche que atingiu o automóvel da policial penal Adriane Maria José Gallão, de 50 anos, estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida há mais de três anos. A informação consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar, obtido pelo Cruzeiro do Sul, e confirmada pela Polícia Civil. Segundo o documento, a CNH do homem -- um empresário, de 39 anos -- expirou no dia 4 de abril de 2019 e não foi renovada. O acidente ocorreu em 4 de setembro, na rodovia Senador José Ermírio de Moraes (S-075), conhecida como Castelinho, em Sorocaba. O condutor do carro de luxo estava embriagado. Adriane ficou gravemente ferida e morreu no dia 15, após 12 dias internada.
O registro da PM cita que o motorista cometeu duas infrações, sendo dirigir veículo com validade da CNH ou PPD vencida há mais de 30 dias e dirigir sob a influência de álcool. Ainda de acordo com o BO, o carro, registrado em nome da empresa do empreendedor, não apresentava irregularidades. Estava em bom estado, com os pneus e todas as luzes adequados. O veículo de Adriane, um Ford Ka, também estava totalmente regular. Os dois automóveis ficaram bastante danificados. Além disso, o BO cita que, no dia do fato, a pista encontrava-se em boas condições e seca.
A Polícia Civil, por meio do 6º Distrito Policial (DP), instaurou inquérito para investigar o acidente. Segundo a polícia, com a morte de Adriane, a linha de apuração mudou para homicídio. Contudo, a qualificação -- doloso (intencional) ou culposo (sem intenção) -- ainda não foi definida. Antes da morte da mulher, o caso era tratado como lesão corporal na direção de veículo automotor.
Atualmente, as testemunhas estão sendo convocadas para prestar depoimento. O condutor também será chamado. Os investigadores, igualmente, já pediram à CCR Viaoeste, concessionária que administra o trecho da ocorrência, as imagens da única câmera do local. Conforme a polícia, a equipe chegou a ver os registros do equipamento de uma empresa próxima à rodovia. Contudo, ele não captou o acidente, nem os carros.
Agora, a Polícia Civil aguarda os resultados dos laudos periciais, tanto do local, quanto dos veículos, para levantar novas informações, como a causa do acidente. Os documentos demoram até 30 dias para ficar prontos. Um dos objetivos é descobrir, por exemplo, se o condutor trafegava acima da velocidade permitida. O resultado do exame de sangue para detecção de dosagem alcóolica no organismo dele, realizado na data da ocorrência, também não saiu ainda. Ele responde ao processo em liberdade.
A família de Adriane cobra que o condutor do Porsche seja responsabilizado pelo acidente. Para o marido dela, o também policial penal Ozerio Tadeu Pereira, de 49 anos, o condutor deveria responder por homicídio doloso. Pereira considera que, ao cometer irregularidades, o homem assumiu o risco de matar. “Com esses elementos, que são a questão de ter ingerido bebida alcoólica, a alta velocidade e a CNH suspensa, não dá para achar que ele agiu só com culpa. Ela tinha que saber, no mínimo, que não poderia dirigir nessas condições e que, se dirigiu, assumiu o risco”, disse. “Isso não foi uma fatalidade. Fatalidade é algo que ninguém espera. No caso, foi uma irresponsabilidade”, completou