A certidão de óbito do estudante Luiz Fogaça Balboni, o Zizo, foi corrigida na terça-feira (4) pelo cartório de Pinheiros, em São Paulo (SP). O novo documento reconhece que sua morte, ocorrida em 1969, foi “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1969”.
A mudança segue uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 13 de dezembro de 2024, que determinou a correção das certidões de óbito de 202 vítimas da ditadura militar. Em janeiro, o documento de Rubens Paiva, ex-deputado federal morto pelo regime em 1971, também foi atualizado.
Zizo tinha 24 anos quando foi morto em 25 de setembro de 1969, durante uma emboscada em São Paulo. Ele era estudante de engenharia e havia trancado a matrícula em 1968 para se dedicar ao movimento estudantil contra a ditadura. A primeira versão de sua certidão de óbito, emitida um dia após sua morte, registrava apenas “lesão traumática do pulmão” como causa do óbito.
Símbolo de resistência e preservação
Na mesma semana da retificação do documento, o Parque Ecológico do Zizo completou 27 anos, na quinta-feira (6). Criado pela família de Luiz Fogaça Balboni, o parque ocupa uma área de mais de 2,6 milhões de metros quadrados entre Tapiraí (SP) e São Miguel Arcanjo (SP) e foi adquirido com a indenização recebida do governo federal em 1998, quando o Estado reconheceu sua responsabilidade pela morte do estudante.
“A gente não estava preparado para lidar com esse assunto [sobre o valor recebido], porque a gente buscava saber o que tinha acontecido com o Zizo. A minha mãe era viva e sofreu muito com a morte dele”, relembra Vital Fogaça Balboni, irmão mais novo de Zizo.
Inicialmente, a família pensou em usar o dinheiro para construir uma maternidade em São Miguel Arcanjo, mas decidiu investir na preservação ambiental como uma homenagem ao estudante. “Nada repara a morte de um ente querido, mas nós acertamos, lá atrás, fazer o que fizemos. O parque virou um centro muito lindo, maravilhoso, de formação de pessoas, de cuidar da gente do entorno. Trouxe para nós muita alegria e continua trazendo”, afirma Vital.