A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento Leqembi no Brasil para o tratamento do Alzheimer. Produzido com o anticorpo lecanemabe, o fármaco é administrado por infusão intravenosa e é indicado para pacientes que estão nos estágios iniciais da doença, com demência leve.
O medicamento tem como principal função desacelerar a deterioração cerebral provocada pelo Alzheimer. Ele atua na remoção das placas beta-amiloides, uma substância pegajosa que se acumula no cérebro e é considerada uma das principais características da doença.
A eficácia do Leqembi foi comprovada em um estudo publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine. A pesquisa acompanhou 1.795 voluntários durante 18 meses e apontou redução no declínio cognitivo-funcional e progressão mais lenta da doença nos pacientes tratados com o anticorpo lecanemabe.
Nos Estados Unidos, onde o medicamento é aprovado pela FDA desde 2023, o custo do tratamento é de cerca de 26 mil dólares por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 140 mil. Antes da liberação do Leqembi, não havia medicamentos direcionados diretamente à causa do Alzheimer, apenas opções voltadas ao tratamento dos sintomas e consequências da doença.
Segundo o neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o medicamento representa um avanço importante. “Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, afirmou ao g1.
Apesar do otimismo, o especialista pondera que ainda é cedo para considerar o tratamento um sucesso definitivo. “Esse tipo de terapia é novo. Precisamos aguardar mais tempo para ter uma conclusão definitiva, além de avaliar se o custo elevado e os riscos compensam os benefícios”, explicou.
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência neurodegenerativa no mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de um milhão de pessoas convivem com a doença.
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