Dezenas de romeiros seguem a pé até o Santuário do Bom Jesus, em uma tradição centenária marcada por fé, sacrifício e devoção. Peregrinos percorrem longas distâncias carregando cruzes, pedidos e agradecimentos ao padroeiro.
Uma das chegadas mais marcantes é a dos pagadores de promessas, que carregam nos ombros cruzes de madeira que podem ultrapassar 20 metros de comprimento. A Sexta-Feira Santa é uma das datas que mais atraem fiéis ao local, além da festa do padroeiro, celebrada em setembro.
Um grupo de peregrinos saiu de Pereiras no sábado (28), com o objetivo de percorrer cerca de 150 quilômetros até o destino. Acompanhados de uma cruz de 23 metros, eles seguem motivados pela gratidão pelas bênçãos recebidas e pelo desejo de manter viva a tradição.
José Roberto Rodrigues acompanha o grupo e destaca o significado da jornada. “A maior gratidão que eu tenho é ter meu filho comigo. Eu o crio desde os dois anos de idade, sou pai e mãe dele. E estou ensinando ele a seguir os romeiros”, conta, emocionado.
Além do desgaste físico e dos desafios do percurso, os romeiros também enfrentam riscos nas rodovias, já que parte do trajeto não possui acostamento. Agentes da concessionária que administra as vias orientam os peregrinos a utilizarem roupas claras, caminharem durante o dia, seguirem pelo canteiro lateral e atravessarem apenas por passarelas e viadutos.
O último trecho da caminhada é feito pela Estrada dos Romeiros, com cerca de 45 quilômetros entre Itu e Pirapora do Bom Jesus. É nesse momento que muitos fiéis relatam experiências de forte emoção e espiritualidade.
Adriana Leme é uma das peregrinas que completam o trajeto movidas pela fé. “É Deus que te leva até lá. Você vai rezando, subindo… se não tiver fé, você não chega. A emoção é grande, você ajoelha aos pés do Bom Jesus, chora e diz: ‘Deus, eu volto’”, relata.
Segundo os Missionários Redentoristas, responsáveis pela administração do santuário, a expectativa é que mais de 100 mil pessoas passem pelo local durante o período religioso.