A Polícia Federal identificou dois núcleos dentro do esquema de corrupção que levou ao afastamento, por 180 dias, do prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos). As investigações fazem parte da Operação Copia e Cola, e documentos obtidos com exclusividade pelo g1 e pela TV TEM apontam Manga como líder de uma organização criminosa dividida em núcleo financeiro e político.
Além do prefeito, também são investigados: Sirlange Frate, esposa de Manga; Simone Frate, cunhada do prefeito; o bispo Josivaldo Souza, marido de Simone; o empresário Marco Mott, amigo de infância de Manga; Vinicius Rodrigues, ex-secretário de Saúde; e Fausto Bossolo, ex-secretário de Administração.
Josivaldo e Mott foram presos na quinta-feira (6). Simone é considerada foragida.
Núcleo financeiro
A PF afirma que a primeira-dama, Sirlange Frate, utilizava sua empresa, a 2M Comunicação e Assessoria, para lavar dinheiro por meio de contratos de publicidade com a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus.
Entre janeiro de 2021 e julho de 2025, segundo a investigação, R$ 448,5 mil foram lavados por meio de um dos contratos. Outro acordo de publicidade, entre 2021 e 2023, teria sido usado para ocultar R$ 780 mil, envolvendo também Simone Frate e o bispo Josivaldo.
A PF aponta ainda que Simone utilizava dinheiro de propina para pagar despesas pessoais da família de Manga, como mensalidades de clube, faculdade e manutenção de cavalos.
O empresário Marco Mott teria atuado como operador financeiro do esquema, lavando dinheiro oriundo de contratos públicos. A investigação identificou 52 depósitos, totalizando R$ 6,5 milhões, cuja origem ele não comprovou.
Núcleo político
No núcleo político, além de Manga, a PF aponta envolvimento do ex-secretário de Saúde, Vinicius Rodrigues, e do ex-secretário de Administração, Fausto Bossolo. O grupo seria responsável pela negociação de contratos da saúde e de propinas com empresas interessadas em firmar acordos com a prefeitura.
Defesas
A defesa de Rodrigo Manga afirma que a investigação é “nula”, alegando ilegalidades na condução do inquérito.
Os advogados de Sirlange Frate dizem que todas as movimentações financeiras são lícitas e declaradas, e esperam o arquivamento do caso.
A defesa de Josivaldo Souza e da Igreja Cruzada sustenta que não houve prática ilícita.
Os advogados do empresário Marco Mott afirmam que só se manifestarão após acesso integral às provas.
O ex-secretário Vinicius Rodrigues nega participação e diz desconhecer o motivo pelo qual é investigado.
A reportagem não conseguiu contato com Fausto Bossolo.
Habeas corpus negado
No dia 10 de novembro, a defesa do prefeito protocolou um pedido de habeas corpus no TRF-3. Um complemento de 422 páginas foi enviado no dia seguinte, mas o pedido foi negado.
Com isso, Rodrigo Manga segue afastado do cargo até abril de 2026, conforme determinação judicial, e a investigação da PF continua em andamento.