A família do trabalhador Luiz Leandro de Oliveira, de 38 anos, que morreu soterrado por rochas em uma pedreira de Salto de Pirapora (SP), entrou com uma ação na Justiça pedindo indenização por danos morais e materiais contra as empresas responsáveis pelo local do acidente.
Luiz morreu no dia 24 de abril. Segundo uma sobrinha da vítima, que preferiu não se identificar, a família busca justiça para que outros funcionários tenham mais segurança no ambiente de trabalho.
A ação foi protocolada contra as empresas Ambipar Environmental Mining e Votorantim Cimentos. De acordo com a familiar, o objetivo é evitar que outras famílias passem pela mesma situação. “A morte dele não foi em vão, a morte dele tem um propósito para que outras famílias não passem pelo mesmo”, afirmou.
O processo também menciona uma ação pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em agosto de 2025, contra a Votorantim Cimentos Brasil S.A. O caso envolvia um acidente ocorrido em março de 2020, quando um trabalhador terceirizado sofreu sequelas após uma explosão durante uma intervenção elétrica realizada sem o desligamento da energia.
Ainda segundo a sobrinha, Luiz já relatava à família os riscos enfrentados no trabalho. “Ele já havia falado inúmeras vezes dentro de casa que ali estava correndo um risco absurdo. Avisava a esposa: ‘Olha, reze por mim, lá está muito perigoso. Qualquer dia pode ocorrer uma morte lá dentro’. E, infelizmente, ocorreu com ele”, contou.
A familiar também descreveu o impacto da morte para a família. “Cada dia que passa é uma dor que aumenta dentro de casa. Porque o choque de às 3h da manhã baterem na porta da sua casa dizendo que seu marido nunca mais vai voltar, e da maneira que foi… Como é que explica isso para as crianças?”, lamentou.
O advogado da família, Eduardo Barbosa, afirmou, em nota, que a morte poderia ter sido evitada. “As empresas envolvidas tinham recursos, informações e obrigação legal de garantir um ambiente de trabalho seguro. Não o fizeram. Luiz Leandro alertou, mais de uma vez, sobre as condições inseguras da área. Suas preocupações foram ignoradas”, declarou.
O g1 informou que tentou contato com as empresas Ambipar Environmental Mining Ltda. e Votorantim Cimentos Brasil S.A., mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
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