Dois jovens bailarinos do interior de São Paulo que realizaram campanhas para participar da seletiva da Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), não foram aprovados na etapa final. Enzo, de Sarapuí, e Matheus, de Itapetininga, chegaram a passar pela primeira fase, mas ficaram de fora após a avaliação artística, realizada no sábado (25).
A seletiva foi realizada na sede da escola e reuniu candidatos de várias regiões do país. Para custear a viagem, Enzo vendeu seu cavalo de estimação, enquanto o pai de Matheus vendeu balas no Centro de Itapetininga para arrecadar o valor necessário.
Mesmo sem a aprovação, os dois meninos agradeceram o apoio recebido e afirmaram que pretendem continuar tentando.
“Fiquei um pouco triste, mas nunca vou desistir”, disse Enzo.
O sonho de Enzo, de Sarapuí
A família de Enzo organizou rifas e contou com a ajuda de vizinhos e amigos para tornar a viagem possível. O garoto vendeu seu cavalo de estimação, Trovão, para completar o valor necessário.
A mãe dele, Maria de Fátima Campos da Silva, afirmou que, apesar da tristeza, a experiência trouxe amadurecimento e orgulho:
“Estou muito orgulhosa. Todo esforço valeu a pena — a rifa, a venda do cavalo… Investimos no Enzo e ele mostrou que queria estar lá.”
Sobre o cavalo, Maria de Fátima contou que a meta agora é trabalhar dobrado para comprá-lo de volta:
“Meu esposo já está procurando um novo emprego. Vamos trabalhar em dois e fazer horas extras. Vamos comprar o Trovão de volta, se Deus quiser.”
A professora de balé de Enzo, Nicolly Santos, destacou o talento e a dedicação do menino:
“Esse resultado não é um fim, e sim um ponto de partida para evoluir. Agora sabemos o que precisa ser aprimorado: técnica, força, musicalidade, postura e confiança. Acredito profundamente no potencial do Enzo.”
A dedicação de Matheus, de Itapetininga
Em Itapetininga, o esforço também foi grande. O pai de Matheus, Rafael Nunes dos Santos, que trabalha como vendedor de balas desde 2018, chegou a trabalhar mais de oito horas por dia para juntar os mais de R$ 2 mil necessários para levar o filho, Matheus Felipe Nunes de Oliveira, de 11 anos, até a seletiva.
Matheus contou que ficou feliz com a experiência:
“Foi uma experiência maravilhosa. Agradeço todo mundo que me ajudou.”
O pai dele se emocionou ao lembrar da volta para casa:
“Ano que vem ele está lá de novo, não era para ser agora. Chegamos em Itapetininga às cinco da manhã, ainda estamos com nostalgia. É frustrante, mas a derrota é para os fracos; nós somos batalhadores e fortes.”
A mãe do menino, Clara da Conceição Oliveira Leite, recebeu o resultado por mensagem e também deixou palavras de fé:
“Fiquei triste quando ele avisou que não passou, mas Deus sabe de todas as coisas. Ele vai continuar e, no ano que vem, vai tentar de novo.”
A professora de Matheus, Natália Queiroz, explicou que o processo seletivo do Bolshoi é altamente competitivo e que os critérios físicos e técnicos são muito rigorosos:
“A gente ficou chateado, mas o Bolshoi é difícil mesmo. Agora vamos trabalhar para o ano que vem.”
Mesmo sem a aprovação, as histórias de Enzo e Matheus emocionaram e inspiraram familiares, amigos e professores, que enxergam nas trajetórias dos dois um exemplo de persistência, talento e amor pela arte.